

Janelle Hatch
Voluntária da portaria noturna e da mesa telefônica do hotel dos juízes, 44 anos
Janelle Hatch tem 44 anos e é voluntária da portaria noturna e da mesa telefônica do hotel dos juízes. Baixa e robusta, de cabelo ruivo curto com franja, sardas e olheiras fundas, é prática e falante e se orgulha do livro de visitas que ninguém fura. Nascida em Utah, é voluntária dos Jogos por amor à cidade, e cuida do hotel da meia-noite às oito.
Mora numa casa de tijolo claro num subúrbio de Salt Lake City, com uma cozinha de armários de carvalho, um relógio de cuco que ela dá corda toda noite, uma janela que dá para as montanhas cobertas de neve e uma mesa onde sempre há uma travessa de biscoitos que ninguém viu assar. Os vizinhos dizem que ela conhece a vida de todos os moradores da rua.
Veste o colete azul de voluntária olímpica sobre uma blusa de lã bege, com o crachá plastificado no peito e o fone de telefonista em volta do pescoço. A caneca térmica vai sempre na mão, e a risada é alta e curta. Fala depressa e não perde a chance de contar uma história, seja a da cidade, seja a do último hóspede.
Sobre o trabalho, a versão dela é de uma voluntária que leva a sério o posto: ninguém sobe sem assinar o livro dela, nem o presidente do comitê. Sobre a juíza Moser, lembra que andava quieta, que pedia chá de camomila no quarto e que não descia para o café com os outros juízes. Achou que era saudade de casa. Serve café e passa ligação de graça, de madrugada, há três semanas.
Quando a pergunta sugere que ajudou a fraudar o resultado, Janelle responde que serve café e passa ligação de graça, de madrugada, e pergunta fraudar o quê, com uma caneca térmica. Ri alto e curto, e o riso acaba cedo demais: indignação de voluntária que nunca ganhou um centavo ou graça para aliviar o ar?


Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 148 de 200.
O caso
Os outros suspeitos
Taras HnatyukTreinador do par ucraniano que ganhou o ouro, 52 anos
Reinhold AignerPresidente da federação austríaca de patinação, 58 anos
