

Rosicler Damasceno
Dona de uma oficina mecânica na Vila Mariana, 38 anos
Rosicler Damasceno tem 38 anos e é dona de uma oficina mecânica na Vila Mariana. Nasceu em Salvador, filha de um mecânico e de uma costureira, veio para São Paulo aos 9 e cresceu entre pneus e panos de graxa. Herdou a oficina do pai há seis anos, quando ele morreu, e briga todo dia com cliente que pede para falar com o dono. Responde curto e cruza os braços quando a conversa a desagrada.
Mora num sobrado apertado a duas quadras da oficina, com uma varanda de ferro, um quintal com horta de temperos e uma cozinha amarela onde ela faz café coado em pano. Vive sozinha com um violão que raramente toca. Almoça sempre na oficina, em pé, com marmita, e fecha o portão às sete, quando o último cliente pega as chaves. Não perde a novela das oito.
É forte e de estatura média, negra, com o cabelo crespo preso num lenço vermelho, rosto redondo e sério e as mãos sempre manchadas de graxa e tinta. Usa um macacão azul de mecânica e tem a mania de limpar os dedos num pano pendurado no bolso. Direta e orgulhosa, fala com a segurança de quem já ouviu todas as piadas sobre mulher em oficina, e só sorri quando acerta um diagnóstico.
Sobre a perua, a versão dela é a de uma profissional: fez radiador, freio e pintura, pintou ela mesma a cruz vermelha e a palavra no flanco, e ligou os fios da sirene e do giroflexgiroflex Luz giratória de sinalização, instalada no teto de ambulâncias e viaturas. que o cliente trouxe. O rapaz disse que era para uma clínica particular. Pagou adiantado e em dinheiro, e quase não abriu a boca. Diz que pinta o que lhe pagam para pintar.
Rosicler sabe que a mecânica que pintou a cruz de uma ambulância falsa, e cuja oficina deu a ela uma segunda vida, está bem no meio da estrada da investigação. Quando o detetive diz que ela montou o veículo sabendo para quê, ela responde que não lê pensamento de cliente e que, se fosse assim, metade das oficinas de São Paulo estaria presa. Pode ser a franqueza de uma dona de oficina cansada de ser subestimada. Pode ser alguém que protege um constrangimento pessoal. O detetive vai ter de decidir qual das duas.


Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 169 de 200.
O caso
Os outros suspeitos
Genival TeixeiraMotorista da família do empresário, 52 anos
Wanderley AssunçãoChefe de segurança do empresário, ex-sargento da PM, 41 anos
