Confessd
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A sala de estar de Balham, com o piano fechado e as samambaias
Beatrice Tilney

Beatrice Tilney

Esposa de Ambrose, 31 anos

Beatrice Tilney tem 31 anos e mora há quatro meses como esposa na casa onde já morava como viúva. Nasceu em Brighton, filha de um comerciante de chá que fez fortuna e perdeu a metade dela no jogo, e casou pela primeira vez aos 22, com um armador bem mais velho. Ficou viúva aos 27, herdou a casa de Balham e um dinheiro que a vizinhança nunca perdoou. Ainda ouve, quando atravessa a rua, o cochicho de quem a chama de a viúva alegre.

Vive entre a sala de estar e o jardim de inverno, onde as samambaias crescem mais do que as conversas. Tem um piano que ninguém toca desde o luto e uma caixa de música que guarda no colo quando não sabe o que fazer com as mãos. Dispensa visitas com um sorriso curto, paga as contas sem olhar os valores e deixa a administração da casa para quem a conhece melhor do que ela mesma. Acorda tarde e deita cedo, e diz que a casa grande só faz barulho de noite.

É magra, de pele muito clara, com olheiras fundas que o pó de arroz não esconde. Prende o cabelo castanho-avermelhado num coque baixo, de onde sempre escapam mechas, e ainda veste o preto do primeiro luto, de seda com gola alta de renda, preso por um broche de camafeu que foi da mãe. Fala devagar, escolhendo cada palavra, como quem já foi interrompida demais, e aperta um lenço entre os dedos quando se sente julgada, o que acontece quase sempre.

Sobre a noite de terça, diz que o marido gritou por água quente às 21h45 e que a criada subiu correndo. Ela dormia no quarto ao lado e só acordou com o barulho. Sobre o casamento, admite que Ambrose achava a casa cara demais, vendeu cavalos, dispensou o cocheiro em março e falava em cortar mais nomes da folha. Ela pagava, ele fazia as contas. Quanto a quem poderia odiá-lo, cita o cocheiro, que jurou na taverna que o patrão não chegava ao verão, mas lembra que o homem já estava em Kent.

Beatrice sabe que uma viúva rica que perde o segundo marido em quatro meses vira assunto em qualquer sala. Quando o detetive a pressiona, a frieza se fecha em torno dela como uma porta, e ela exige falar apenas com o advogado da família. Pode ser o orgulho de uma mulher cansada de ser julgada antes de ser ouvida. Pode ser alguém que prefere o silêncio a uma pergunta. O detetive vai ter de decidir qual das duas.

O broche de camafeu que fecha a gola de renda
O broche de camafeu que fecha a gola de renda
O lenço que ela aperta quando se sente julgada
O lenço que ela aperta quando se sente julgada
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Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 131 de 200.

O caso

Os outros suspeitos