

Doris Whitfield
Gerente de carga da noite da Valkyr Air, 55 anos
Doris Whitfield tem 55 anos e é gerente de carga da noite da Valkyr Air. Nasceu em Scranton, na Pensilvânia, filha de um mineiro de carvão e de uma professora de piano, e foi para Nova York aos 21 com uma mala e a certeza de que não voltava. Começou como datilógrafa no escritório de tráfego, aprendeu a ler um manifesto de carga melhor que os homens que a mandavam datilografá-los e subiu degrau por degrau, sem pedir licença.
Mora sozinha num apartamento claro em Forest Hills, no Queens, com plantas na janela, uma penteadeira de espelho oval e um sofá de veludo que ninguém mais usa. Deixa o laquê, o pó e o batom em ordem sobre a bandeja, sempre na mesma posição. Faz as compras aos sábados, compra flores às quartas e telefona à irmã em Scranton todo domingo. Quem vê a casa pensa numa mulher que leva a vida com régua e compasso.
Tem o cabelo loiro platinado armado com laquê, a pele clara, os óculos de gatinho presos numa correntinha e o batom vermelho que a esta hora da manhã já está borrado. Usa blazer azul-marinho com um broche de asas da companhia na lapela e um cardigã bege jogado nos ombros. É elegante, enérgica, fala depressa e corrige o que ouve. Depois da madrugada do roubo, ainda treme um pouco, e é a primeira a admitir que está furiosa.
Sobre a noite, a versão dela é a mais longa. Diz que os ladrões a arrancaram do refeitório e a chamaram pelo nome, que sabiam até que as portas duplas do cofre só abrem uma de cada vez, e que ela abriu sob a mira de um revólver na nuca. Conta que ficaram uma hora e quatro minutos lá dentro, que ela contou no relógio da parede, deitada, com a cara no linóleolinóleo Revestimento de piso liso e flexível, feito de óleo de linhaça e outros materiais, comum em escritórios e hospitais antigos., e que um deles tinha a voz de quem já fez aquilo antes. Sobre o resto do turno, dá a entender que estava conferindo manifestos.
Doris sabe que quem abre o cofre sob ameaça tem a mesma aparência de quem o abre de bom grado. Quando o detetive sugere que ela o abriu por vontade própria, o tom desce um degrau e ela promete chamar o diretor: vinte anos de companhia, e é isso que ganha. Pode ser a indignação de uma mulher que foi vítima e agora é tratada como suspeita. Pode ser alguém que cuida de proteger o que ainda é só dela. O detetive vai ter de decidir qual das duas.


Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 117 de 200.
O caso
Os outros suspeitos
Raymond SzaboSupervisor da carga noturna da Valkyr Air, 47 anos
Otis FairbanksVigia do portão de carga, 63 anos
