

Raymond Szabo
Supervisor da carga noturna da Valkyr Air, 47 anos
Raymond Szabo tem 47 anos e é supervisor da carga noturna da Valkyr Air há doze. Nasceu em Newark, filho de um soldador húngaro e de uma costureira, e chegou ao aeroporto aos 35, depois de duas lojas de ferragens que fecharam e de um casamento que não durou. Começou empilhando caixas no turno da madrugada e subiu porque era o único que sabia de cabeça o que cada voo trazia e para onde cada pacote ia.
Mora num apartamento de dois cômodos em Ozone Park, no Queens, quatro lances de escada acima de uma lavanderia. Compra café moído na esquina, deixa a chaleira sempre quente e guarda na geladeira meia dúzia de latas de cerveja que raramente abre. Dorme de dia, com a cortina fechada e o rádio baixo, e acorda no fim da tarde para jantar em pé, olhando a rua. Os vizinhos só o veem de jaqueta, entrando ou saindo.
Tem 47 anos mas parece mais velho: pele pálida, olheiras fundas, o cabelo preto penteado para trás com brilhantina, costeletas longas, um bigode fino que ele apara com cuidado demais. Veste camisa marrom de colarinho largo sob uma jaqueta de náilon azul com o crachá da companhia. É simpático demais para quem trabalha de madrugada: oferece cigarro e café a todo mundo, fala baixo e responde como quem já ensaiou a resposta no espelho.
Sobre o terminal, a versão dele é de quem conhece o prédio como a palma da mão. Diz que a remessa que sumiu era dinheiro voltando da Alemanha, que toda remessa dorme ali uma ou duas noites e que isso não é segredo para ninguém do turno. Sobre a noite do roubo, afirma que passou de cama, com febre, e que só soube do que houve pelo rádio, às seis da manhã. Acrescenta, sem que lhe perguntem, que o vigia do portão larga a guarita em noite de luta e que a companhia é a única que não sabe.
Raymond sabe que um supervisor da noite é o primeiro nome que a polícia anota quando o cofre aparece vazio. Quando o detetive o acusa de frente, o sorriso some de uma vez: ele lembra os doze anos de casa e diz que sem prova não tem mais nada a dizer. Pode ser o orgulho de um homem que deu a vida a um turno que ninguém quer. Pode ser um homem que ensaiou tudo, menos a pergunta seguinte. O detetive vai ter de decidir qual das duas.


Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 117 de 200.
O caso
Os outros suspeitos
Doris WhitfieldGerente de carga da noite da Valkyr Air, 55 anos
Otis FairbanksVigia do portão de carga, 63 anos
