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O apartamento de dois cômodos em Hounslow, com a poltrona virada para o rádio
Royston Hargreave

Royston Hargreave

Vigia noturno do armazém, 61 anos

Royston Hargreave tem 61 anos e trinta deles passados à noite, de colete refletivo, guardando coisas que dormem. Nasceu em Hounslow, filho de um carregador de aeroporto e de uma cozinheira de refeitório, deixou a escola aos 16 e foi ajudante de padaria, porteiro de hotel e vigia de obra antes de ir parar no armazém. Fala devagar, com a educação cansada de quem aprendeu cedo que o turno da noite é o das pessoas que ninguém pergunta.

Mora sozinho num apartamento de dois cômodos num prédio baixo de Hounslow, com vista para os fundos de um estacionamento, uma poltrona gasta virada para o rádio e um fogão de duas bocas em que ferve o chá todas as manhãs ao chegar. Na parede da sala, uma foto antiga do estádio do time dele, o único luxo da casa. Dorme de dia, com o rádio sintonizado numa estação de música antiga, e come o que sobrou do jantar.

É alto e curvado, de rosto comprido e enrugado, bochechas caídas, sobrancelhas grossas e o cabelo branco ralo penteado para trás. Veste o uniforme de segurança azul-escuro com um colete refletivo amarelo por cima, traz o rádio preso ao ombro e raramente solta uma caneca de chá lascada, que enche e esvazia a noite toda. É cansado, educado e se apoia em trinta anos de serviço sem queixa, repetindo isso em voz baixa.

Sobre a noite do crime, a versão dele é a do livro de rondas: à meia-noite, à 1h e às 2h, as três naves, tudo quieto, só a chuva no telhado, com a letra dele. Diz que os baús estavam na baiabaia Divisão demarcada de um galpão ou armazém, onde se guarda determinada carga. 4, fora da gaiola de valores, porque na sexta, às 17h, o supervisor do dia os empilhou ali, debaixo da claraboiaclaraboia Abertura no teto ou telhado, fechada com vidro ou material transparente, que deixa entrar a luz do alto., e alegou que a gaiola ia ser pintada no fim de semana. Notou também uma senhora italiana, no sábado às 20h, que fotografou as etiquetas e saiu com pressa, sem assinar o livro de visitas.

Royston sabe que o vigia da noite é quem se pergunta como alguém passou por baixo dos olhos dele. Quando o detetive diz que desligou os sensores para os ladrões, ele enche mais uma vez a caneca lascada e responde que são trinta anos de farda sem uma queixa e que nem sabe a senha do painel. Mágoa de velho vigia no fim da carreira, ou livro como muralha: o chá fumegando não revela qual.

A caneca de chá lascada que ele enche e esvazia a noite toda
A caneca de chá lascada que ele enche e esvazia a noite toda
O rádio de ombro que ele usa nas rondas
O rádio de ombro que ele usa nas rondas
Jogar

Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 199 de 200.

O caso

Os outros suspeitos