

Mathilde Rossier
Secretária do maestro Haldenstein, 38 anos
Mathilde Rossier tem 38 anos e doze deles passados ao lado do maestro Haldenstein. Nasceu em Lausanne, filha de uma professora de piano, estudou datilografia e línguas e entrou como secretária aos 26. Fazia tudo o que não era música: agenda, cartas, contratos, viagens. Quando o maestro morreu, a viúva a manteve na casa, agora para cuidar das contas e dos papéis.
Mora num apartamento pequeno em Vevey, de dois cômodos, com um piano vertical que ela já não toca, uma estante de partituras emprestadas e uma janela para os telhados e o lago. Tudo é arrumado em ângulo reto. Mantém uma chaleira de ferro esmaltado no fogão e uma xícara por vez, nunca duas. Chega à villa a pé todas as manhãs, pelo mesmo caminho, e volta por ele ao fim da tarde, às vezes passando pelo cemitério.
É magra, elegante, de rosto fino e pálido, olhos claros cansados e cabelo castanho-claro preso num coque baixo. Veste um tailleur cinza-chumbo, blusa de gola alta preta, luvas de couro e um broche de clave de sol na lapela. Carrega um caderno de capa de couro debaixo do braço. Fala em frases curtas e corrige as datas dos outros, sem levantar a voz.
Sobre o pedido de resgate, diz que a senhora Haldenstein o ouviu até o fim e respondeu ao telefone que o marido acharia o homem ridículo. Desligou e voltou para o chá. Mathilde conta a cena com uma ponta de admiração e acrescenta que a patroa não paga um centavo, nem que o caixão fique no fim do mundo. Perguntada sobre quanto ganharia com o resgate, responde que nada, e que não admite o tom.
Pode ser a contenção de uma profissional que viveu uma década cuidando dos papéis alheios. Pode ser a defesa de quem tem mais a perder do que mostra. O detetive vai ter de decidir qual das duas.


Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 171 de 200.
O caso
Os outros suspeitos
Tullio LanfranchiMotorista e mecânico da villa Haldenstein, 34 anos
Fernand GilliéronCoveiro do vilarejo, 61 anos
