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O apartamento em cima da loja de vídeos, cheio de bolas e fitas
Duane Hensley

Duane Hensley

Produtor do programa de rádio esportivo "Linha do Torcedor", 36 anos

Duane Hensley tem 36 anos e produz, há oito, o programa de rádio esportivo mais ouvido da região. Nasceu em Montgomery, filho de um mecânico e de uma auxiliar de escola, e aprendeu a falar ao microfone narrando, para si mesmo, as partidas do time no quintal. Faz faculdade de comunicação à noite desde que a rádio lhe deu o primeiro emprego, aos 22, e fala em números de audiência como outros falam em previsão do tempo.

Mora num apartamento de dois cômodos acima de uma loja de vídeos, com as paredes cobertas de bandeirinhas, bolas autografadas dentro de caixas de acrílico e pilhas de fitas cassete gravadas de jogos antigos. A geladeira só tem refrigerante e molho picante, e a cafeteira vive cheia desde as seis da manhã. Fala ao telefone enquanto come, caminha enquanto fala e diz que, para ele, silêncio no rádio é como lugar vazio no estádio.

É gordinho e de barba curta castanha, com óculos de armação grossa preta e um boné azul-marinho do time virado para trás. Usa camiseta da rádio por baixo de um blusão de moletom cinza, fones de ouvido pendurados no pescoço e uma prancheta cheia de fichas nas mãos. Fala depressa, ansioso, ri antes de a piada acabar e confere o relógio a cada trinta segundos.

Sobre o programa, a versão dele é a de um profissional: duas horas no ar, das 11h às 13h, o apresentador falando e ele na mesa, filtrando a ligação. Cada ouvinte que entra vai para o cadastro com número e apelido. É futebol americano o ano inteiro, diz, e na cidade ninguém fala de outra coisa. Sobre a ligação do ouvinte que se disse o autor, a versão é de espanto, e ele quase derrubou o café na mesa. Com a esquina vazia e escura à noite, ninguém consegue confirmar com certeza onde cada um estava naquela semana.

Duane sabe que o produtor que atendeu a ligação mais famosa do programa é o tipo de nome que uma cidade inteira desconfia de ter inventado. Quando o detetive sugere que ele criou o personagem para salvar a audiência, a voz sobe e ele ameaça chamar o chefe. Pode ser o susto de quem foi pego de surpresa pelo próprio sucesso. Pode ser alguém que sabe o valor de cada número da pesquisa. O detetive vai ter de decidir qual das duas.

Os fones de ouvido pendurados no pescoço
Os fones de ouvido pendurados no pescoço
O boné azul-marinho do time, virado para trás
O boné azul-marinho do time, virado para trás
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Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 155 de 200.

O caso

Os outros suspeitos