

Isobel Carrick
Filha de um comerciante de algodão, 22 anos
Isobel Carrick tem 22 anos e é a filha mais velha de um comerciante de algodão, o tipo de moça de quem a cidade fala em voz baixa. Nasceu em Glasgow, numa casa de pedra clara com seis janelas na fachada, e estudou numa escola privada para meninas, onde aprendeu francês, piano e a arte de ouvir sem dizer nada. Tem dois irmãos mais novos, uma mãe que a idolatra e um pai que decide por todos. Todos dizem que é uma jovem muito bem-educada. Ninguém diz mais do que isso.
Vive no andar nobre da casa, onde a sala de visitas ocupa a frente inteira, com um piano de cauda sob um xale, sofás de seda cor de musgo, um espelho alto e uma estante de álbuns de gravuras. As cortinas de veludo são mantidas semi-abertas, para que a luz do fim de tarde chegue sem entrar de todo. Toca duas peças com perfeição e três com algum esforço, e aprendeu a esconder a diferença. Recebe visitas às quintas, e sempre sabe de cor o nome de quem trouxe os bolos.
Tem a pele de porcelana, o cabelo castanho-escuro repartido ao meio e preso num coque baixo com cachos nas têmporas, e olhos cinzentos e frios que olham de uma distância calculada. Usa um vestido de seda verde-escura com gola de renda, um broche de camafeu e luvas de pelicapelica Pele muito fina e macia, de cabrito ou cordeiro, usada em luvas e calçados finos. nas mãos mesmo dentro de casa. Fala devagar, com a pronúncia limpa de quem foi corrigida desde pequena, e trata o detetive como um visitante mal-educado a quem se oferece cortesia por obrigação.
Sobre a noite do domingo, a versão dela é a de uma moça de família: não saiu do quarto, não desceu e não recebeu ninguém. Quando perguntam como conheceu o homem morto, responde que foi num passeio de domingo, há dois anos, apresentada por uma amiga, e que se tratou de um capricho de menina que já passou. Atribui os rumores da vizinhança ao tédio da cidade e cita os nomes de duas famílias que ficariam felizes em vê-la desonrada.
Isobel sabe que a filha de um comerciante respeitado, acusada em voz alta, tem mais a perder do que qualquer outra. Quando o detetive aperta, ela alisa uma luva, ergue o queixo e pede educadamente que ele se lembre de com quem está falando. Pode ser a dignidade ferida de uma moça de boa criação. Pode ser alguém tão treinada em esconder o que sente que já não distingue o que esconde. O detetive vai ter de decidir qual das duas.


Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 127 de 200.
O caso
Os outros suspeitos
Fiona BairdCriada da casa Carrick, 24 anos
Archibald DunnBoticário da Argyle Street, 52 anos
