

Tiago Serrano
Guia turístico autônomo, 34 anos
Tiago Serrano tem 34 anos e é guia turístico autônomo no Rio de Janeiro. Nasceu na Tijuca, filho de um taxista e de uma costureira de fantasias de escola de samba, e aprendeu inglês e espanhol com turistas que sentavam no banco do táxi do pai. Estudou turismo à noite e fez guia de ônibus de excursão antes de abrir o próprio negócio, quatro anos atrás, com um guarda-chuva amarelo, um mapa dobrado e muita lábia.
Mora numa quitinete na Lapa, num prédio antigo de escada estreita, com a janela dando para os arcos. O espaço é pequeno e cheio: mapas coloridos pendurados na parede, cartões-postais colados na geladeira, uma prateleira de livros de história do Rio e uma cadeira de balanço onde ele treina as piadas para os grupos. Come pão com manteiga em pé, ouve samba no rádio e conhece o nome de todos os porteiros da rua.
Tem o cabelo cacheado curto, a barba rala e a pele parda bronzeada de quem passa o dia ao sol. Veste uma camiseta branca com estampa de bloco de Carnaval, leva uma pochete de couro cruzada no peito e um guarda-chuva amarelo fechado na mão, com um colar de contas coloridas no pescoço. É simpático, falador, domina três idiomas e conta uma história para cada esquina.
Sobre a sexta de Carnaval, a versão dele é a de quem traduzia o dia para os turistas. Diz que gringo quer bloco e museu no mesmo dia e que o bairro entrega os dois na mesma ladeira. Lembra que os mascarados cortaram os fios de náilon dos quadros com um alicate em segundos, e que no mês passado ele mostrava aos turistas as travas de aço atrás das molduras: na sexta, não havia trava nenhuma. Conta que os mascarados avisaram que só queriam os quadros e que ninguém ia se machucar, e que ele traduziu isso para o inglês, deitado no chão.
Tiago sabe que o guia que chega com um grupo no pior momento é o primeiro a ser olhado de lado. Quando o detetive sugere que ele usou os turistas de escudo, a fala solta engasga: meia hora no chão com seis estrangeiros chorando em volta, e o senhor me chama de escudo? Que vergonha. Pode ser a ofensa de um homem cuja profissão é fazer o outro se sentir bem. Pode ser alguém que gasta palavras para não chegar a uma só. O detetive vai ter de decidir qual das duas.


Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 120 de 200.
O caso
Os outros suspeitos
Renato AlbuquerqueConservador do museu, 52 anos
Dalva PachecoChefe dos vigias do museu, 58 anos
