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A serralheria apertada em Itaquera, de chapas de aço e máquina de solda
Cláudio Ribeiro

Cláudio Ribeiro

Serralheiro terceirizado da manutenção, 44 anos

Cláudio Ribeiro tem 44 anos e é serralheiro terceirizado da manutenção do museu. Nasceu em Itaquera, na zona leste de São Paulo, filho de um metalúrgico e de uma costureira, e aprendeu a soldar aos 14, na oficina de um tio, entre fagulhas e correntes. Já fez grade de casa, portão de fábrica, escada de caracol e estrutura de palco. Diz que um serralheiro de verdade é o que consegue consertar o que outro serralheiro fez mal.

Trabalha numa serralheriaserralheria Oficina que trabalha com ferro e aço para fazer ou consertar portas, grades e fechaduras. apertada em Itaquera, um galpão de telha de amianto com chapas de aço encostadas na parede, uma bancada de ferro e uma máquina de solda velha. Ali ficam as barras, os cavaletes e as ferramentas enfileiradas num painel de madeira. Almoça marmita sentado numa caixa de ferramentas e ouve pagode no rádio. Os vizinhos de rua o conhecem pelo cheiro de ferro quente e pelo cachorro sem raça que dorme à porta da oficina.

Tem o cabelo preto curto raspado dos lados, a pele morena e um bigode fino. Usa um macacão azul de serralheiro com o zíper aberto sobre camiseta branca e segura um boné surrado na mão. É simpático na superfície, fala baixo e sorri quando se sente acuado. Tem mãos marcadas por anos de ferro e fogo. Ao ouvir uma pergunta difícil, devolve outra, de preferência sobre alguém que estiver por perto.

Sobre o museu, a versão dele é que consertou a porta de aço da entrada em outubro: mola cansada, trilho torto, serviço de dois dias, nota fiscal e tudo. Quando perguntam quem anda falando da segurança do museu por aí, manda procurar o doutor de óculos e lembra que em novembro saiu no jornal que a casa não tem alarme nem seguro. Pergunta se o senhor acha que ladrão não lê jornal. Sobre a noite do roubo, diz apenas que dormia.

Cláudio sabe que o homem que consertou a porta de aço é o primeiro a quem se pergunta como ela cedeu. Quando o detetive diz que ele roubou os quadros, o sorriso aperta: um serralheiro de Itaquera, com um quadro de milhões debaixo do braço? Sem prova, avisa, o senhor fala com o meu boné. Pode ser o humor de um trabalhador acostumado a ser suspeito de ofício. Pode ser alguém que usa o sorriso para não responder. O detetive vai ter de decidir qual das duas.

O macacão azul de serralheiro com o zíper aberto
O macacão azul de serralheiro com o zíper aberto
O boné surrado que ele aperta na mão quando está acuado
O boné surrado que ele aperta na mão quando está acuado
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Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 119 de 200.

O caso

Os outros suspeitos