

Azlan Hamid
Supervisor da sala de câmeras do terminal, 41 anos
Azlan Hamid tem 41 anos e há onze comanda a sala das sessenta e quatro telas de um terminal de aeroporto. Nasceu em Ipoh, filho de um mecânico e de uma merendeira, e fez o curso técnico de eletrônica à noite, enquanto trabalhava de dia como porteiro. Entrou na segurança do aeroporto como vigilante, subiu a operador de câmeras e a supervisor, e é de longe o funcionário mais antigo do turno. Fala das câmeras como outros falam dos filhos: cada uma tem nome e temperamento.
Mora num apartamento de conjunto habitacional em Subang Jaya, no quinto andar, com a mulher e duas filhas pequenas. A sala tem um sofá de couro sintético que está sempre coberto de brinquedos, um ventilador de teto barulhento e um aquário de peixinhos que as meninas ganharam num parque. Ele chega em casa às onze da noite quando dobra o turno, o que é quase sempre, e dorme no sofá com a televisão ligada baixinho. O fim de semana é só dele quando a escala permite.
Tem a pele morena, o rosto largo com um bigode fino bem aparado, o cabelo preto curto com entradas e uma barriga saliente que ele atribui ao refeitório. Usa a camisa de uniforme azul-clara, com um rádio preso no ombro, e carrega olheiras de quem dobrou o turno. Fala com a voz de quem repete o mesmo trecho de manual há anos, em frases curtas, com os verbos no lugar, e defende o próprio setor com um brio que mal cabe no cansaço.
Sobre a manhã do terminal, a versão dele é a de um supervisor de plantão: está na sala de câmeras desde as seis, sozinho, com sessenta e quatro telas, porque o colega da manhã faltou por causa da chuva e ninguém entra lá sem passar por ele. A câmera do saguão pegou uma moça de camiseta branca chegando por trás do homem, tapando-lhe os olhos e esfregando as mãos no rosto dele. Depois, ela correu para o banheiro com as mãos afastadas do corpo.
Azlan sabe que quem controla as câmeras é quem deveria ter visto tudo, e que, quando algo falta na gravação, a pergunta cai sobre ele. Quando o detetive o acusa de ter apagado imagens, ele cruza os braços sobre a barriga, olha para o monitor mais próximo e diz que pergunta direito ou chama o chefe. Pode ser o brio de um funcionário que nunca falhou. Pode ser alguém que se agarra ao cargo porque o cargo é tudo o que tem. O detetive vai ter de decidir qual das duas.


Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 128 de 200.
O caso
Os outros suspeitos
Ratna WijayaMassagista indonésia, 25 anos
Dorian MalekVideomaker de viagens, 38 anos
