Confessd
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Inspirado em caso real

O envenenamento do banco Teigin

Tóquio, Japão, 1948

Este caso é uma obra de ficção. Os personagens, nomes, lugares e acontecimentos do jogo não retratam pessoas reais. O relato abaixo é um resumo factual, com fontes públicas, do caso que serviu de inspiração.

Na tarde de 26 de janeiro de 1948, logo depois do fechamento, um homem que se apresentou como funcionário de saúde pública entrou na agência de Shiinamachi do Banco Imperial (Teikoku Ginko, ou Teigin), no bairro de Toshima, em Tóquio. Usava uma braçadeira oficial, levava uma maleta de médico e disse que havia um surto de disenteria na vizinhança e que todos precisavam tomar um remédio preventivo. Reuniu as dezesseis pessoas presentes, entre funcionários e a família do zelador, e serviu o líquido em duas doses, com um minuto de intervalo. Dez morreram ali mesmo e duas no hospital. O homem saiu com cerca de 160 mil ienes em dinheiro e um cheque de uns 17 mil ienes, e deixou para trás uma quantia maior que estava sobre a mesa.

A promotoria afirmou que o veneno era cianeto de potássio. A polícia ligou o crime a duas tentativas anteriores, numa agência do Banco Yasuda em outubro de 1947 e numa do Banco Mitsubishi em 19 de janeiro de 1948, em que o mesmo homem usou cartões de visita de médicos. Um dos cartões era de um médico verdadeiro, que guardava o registro das pessoas com quem havia trocado cartões. Seguindo essas trocas, os investigadores chegaram ao pintor de têmpera Sadamichi Hirasawa, de 57 anos, preso em Otaru em 21 de agosto de 1948. Ele disse que o cartão tinha sido roubado por um batedor de carteira e não soube explicar uma soma de dinheiro que tinha recebido.

Fontes

No jogo

Segunda Dose

Agência do Banco Koyo em Shiinamachi, Tóquio, terça-feira, 27 de janeiro de 1948, 9h. Na véspera, às 15h40, com as portas já fechadas, um homem de braçadeira branca do posto de saúde, máscara de gaze e óculos pediu para falar com o subgerente.

Depois de mais de um mês de interrogatórios, Hirasawa confessou, voltou atrás em seguida e disse ter sido coagido. Foi condenado à morte em 1950, e a Suprema Corte confirmou a pena em 1955, mas nenhum ministro da Justiça assinou a ordem de execução, por causa das dúvidas sobre a culpa. Ele morreu de pneumonia na prisão de Hachioji em 10 de maio de 1987, aos 95 anos, depois de quase quatro décadas no corredor da morte. Escritores e jornalistas levantaram a hipótese de que o verdadeiro autor seria um ex-integrante da Unidade 731, o laboratório de armas químicas e biológicas do exército japonês, e a família continuou pedindo a revisão do processo.