Pés Cruzados

Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 182 de 200.
Adelaide, quarta-feira, 1º de dezembro de 1948, 22h. Na delegacia de Glenelg, o ventilador de teto gira devagar e o cheiro de maresia entra pela janela aberta.
Às 6h30, um casal achou na praia um homem morto, encostado no paredão, de pés cruzados, com um cigarro pela metade na gola. As etiquetas da roupa estavam cortadas e, num bolsinho de relógio costurado por dentro da calça, havia um papelzinho com uma só palavra: "Fim".
O patologista não acha veneno, mas jura que a morte não foi natural. À tarde, uma enfermeira desmaiou no necrotério e deu o nome: Mervyn Telford, 39 anos, ex-cabo do Exército, chegado de Melbourne no trem da noite.
O jornal da tarde deu só três linhas: "corpo de homem achado na areia". Três pessoas cruzaram o caminho de Telford em Glenelg. Uma delas o deitou na praia.
Delegacia de Glenelg, em Adelaide, em 1948, à noite, com uma janela aberta para a rua da praia.
Suspeitos
Muriel GilchristEnfermeira do consultório do doutor Ackland, 29 anos
Cecil PellowFarmacêutico da Tidewater Road, viúvo, 54 anos
Lachlan AcklandMédico clínico de Glenelg, ex-tenente médico condecorado, 41 anos
O caso real
O Homem de Somerton e o papel "Tamám Shud"
Adelaide, Austrália, 1948
Leia o caso real