

Godelieve Vanhaecke
Camareira e vestideira de Vibeke, refugiada belga, 46 anos
Godelieve Vanhaecke tem 46 anos e é a camareira e vestideira de Vibeke desde que fugiu da Bélgica com uma trouxa e um missalmissal Livro católico com os textos e as orações da missa.. Nasceu perto de Bruges, filha de um pescador de camarão e de uma rendeira, e trabalhou desde menina em casas de gente que nunca soube seu nome. Calada e devota, fala pouco e com sotaque flamengo, e tem o hábito de ouvir o que se diz sem levantar os olhos.
Dorme num quartinho de empregada sob o telhado do hotel, no último andar, com uma cama de ferro estreita, uma bacia de louça com jarro, um crucifixo de madeira na parede e uma janelinha que dá para as chaminés. Guarda numa caixa de biscoitos fotografias de uma casa que já não existe e uma carta da irmã, que ela relê aos domingos. Acorda às cinco, reza em voz baixa, e diz que quem trabalha com as mãos não tem tempo de desconfiar.
É baixa e robusta, de rosto redondo e corado com rugas de cansaço, cabelo loiro grisalho preso numa touca branca engomada. Usa vestido preto de criada com avental branco, um missalmissal Livro católico com os textos e as orações da missa. de capa gasta no bolso do avental e mãos vermelhas de lavar e passar. Anda de passos curtos e rápidos, fala olhando para as próprias mãos e responde sempre em frases pequenas, como quem puxa um fio sem querer desfazer o pano.
Sobre o serviço, a versão dela é a de uma criada fiel: está com a madame desde 1915, passa, costura e cala a boca, e a patroa lhe dá cama e trabalho. Sobre a noite do jantar, diz o que viu com poucas palavras e prefere não repetir o que ouviu. Quando perguntam dos nomes de Bruxelas, responde que prefere morrer a dar aos alemães o nome de alguém. Com a cidade em blecaute e o hotel cheio de gente indo e vindo, ninguém consegue confirmar com certeza onde cada um esteve a cada hora.
Godelieve sabe que uma refugiada belga, camareira de uma estrangeira, é o tipo de pessoa em quem a polícia confia pouco e a quem pergunta muito. Quando o detetive afirma que ela mandou os nomes, a voz se eleva uma única vez, para lembrar que os alemães queimaram a rua dela. Pode ser a dor genuína de uma exilada. Pode ser alguém que reza em voz baixa para que a pergunta termine antes de chegar a outra coisa. O detetive vai ter de decidir qual das duas.


Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 160 de 200.
O caso
Os outros suspeitos
Aurèle CastaingTenente do serviço de contraespionagem, ajudante do capitão Brémont, 29 anos
Vibeke ThorsagerDançarina dinamarquesa que se apresenta como "Anjali", dona da suíte 112, 40 anos
