Confessd
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O terraço de pedra em Achrafieh, com os canários e o jasmim
Boutros Tannous

Boutros Tannous

Barman do hotel e garçom de aluguel nos jantares dos correspondentes, 44 anos

Boutros Tannous tem 44 anos e há dezoito serve atrás do balcão do hotel. Nasceu em Zahlé, filho de um viticultor, e chegou à capital aos 18 para trabalhar de ajudante de cozinha. Gentil e falador, chama todo cliente de habibihabibi Palavra árabe carinhosa que significa "meu querido"; também usada como tratamento amigável., conhece o gosto de cada correspondente pelo copo e jura que não guarda nada do que escuta, embora ouça tudo.

Mora com a mulher e dois filhos em Achrafieh, num sobrado de pedra com um terraço de varal e jasmim, onde cria canários num viveiro de madeira. Aos domingos, almoça em família, toca alaúde mal e conta histórias que mudam toda semana. Faz bico de garçom nos jantares dos correspondentes e diz que o hotel paga a conta, mas é a gorjeta que paga a escola das crianças.

É baixo e forte, de rosto largo de pele morena, bigode preto bem aparado e cabelo preto ondulado com brilhantina. Usa paletó branco de barman com botões dourados, gravata-borboleta preta, um pano de prato no ombro e um anel de prata no dedo mindinho. Anda depressa entre as mesas, sempre com a bandeja equilibrada na ponta dos dedos, e fala baixo, perto do ouvido, como quem passa um segredo que ainda não tem.

Sobre o balcão, a versão dele é a de quem vê tudo: vi chegar todos os correspondentes do mundo, diz, e os recados ficam com ele, aqui atrás do balcão. Sobre Crispin, tem uma frase de admiração: gim às onze, gim no almoço, gim até fechar, e nunca viu o senhor Ledyard perder o fio de uma conversa. Com a cidade fervendo de correspondentes, diplomatas e curiosos, ninguém consegue confirmar com certeza onde cada um esteve a cada noite.

Boutros sabe que o barman que serve os correspondentes é sempre o último a ser ouvido e o primeiro a ser citado. Quando o detetive diz que ele é o pombo-correio dos russos, a gentileza dá lugar à indignação, e ele lembra que serve copo de russo, de inglês e de americano. Pode ser a ofensa de um homem que vive de discrição. Pode ser alguém que usa o riso para escapar de uma pergunta mais direta. O detetive vai ter de decidir qual das duas.

O paletó branco de barman com botões dourados
O paletó branco de barman com botões dourados
O anel de prata que ele usa no dedo mindinho
O anel de prata que ele usa no dedo mindinho
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Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 159 de 200.

O caso

Os outros suspeitos