

Hélio Queiroz
Vigilante da casa-forte do banco, 39 anos
Hélio Queiroz tem 39 anos e é vigilante da casa-fortecasa-forte Sala blindada de banco, de paredes grossas, onde se guarda dinheiro e valores. da tesouraria regional do Banco da União, no Centro de Fortaleza, há doze. Nasceu em Messejana, filho de um pedreiro e de uma merendeira de escola, serviu no Exército e fez o curso de vigilante logo depois, porque a farda era a única carreira que ele sabia seguir. Diz, com orgulho, que são doze anos de farda sem uma falta.
Mora com a mulher numa casa pequena de conjunto habitacional em Messejana, de muro baixo e portão de ferro pintado de verde, com uma cozinha onde o rádio fica ligado no futebol e uma garrafa térmica de café que ela enche antes de ele sair para o turno. O uniforme passado fica pendurado atrás da porta do quarto, e ele mesmo engraxa o cinto toda noite. Pega dois ônibus para chegar ao banco e chega meia hora antes.
Tem a pele negra, a cabeça raspada e uma barba curta. Usa o uniforme cinza de vigilante, com a insígnia no ombro e o cinto de couro preto, e tem olheiras fundas de quem dorme pouco. É correto e tenso, fala como quem lê o regulamento, escolhe palavras de relatório e se ofende fácil, sobretudo quando alguém sugere que um vigilante sabe mais do que diz.
Foi ele quem abriu a grade com o tesoureiro na segunda, às oito, e encontrou a casa-fortecasa-forte Sala blindada de banco, de paredes grossas, onde se guarda dinheiro e valores. vazia, com um buraco redondo no meio do piso, da largura de um homem agachado, tábua escorando a terra lá embaixo e um fio de luz seguindo para o lado da rua de trás. Explica o serviço sem rodeio: a chave da casa-forte é do tesoureiro e do gerente, com o segredo do relógio; ele só abre a grade de fora e assina a entrada. No fim de semana, diz, ninguém desce, e a patrulha só passa do lado de fora. Com a rua vazia no fim de semana e a casa-forte trancada pelo relógio, ninguém consegue confirmar com certeza onde cada um estava entre sexta e segunda.
Hélio sabe que o homem que guarda a porta é o primeiro de quem se desconfia quando a porta não foi arrombada. Quando o detetive pergunta se foi ele quem abriu a casa-fortecasa-forte Sala blindada de banco, de paredes grossas, onde se guarda dinheiro e valores. para a quadrilha, a voz de regulamento treme de raiva: doze anos de farda sem uma falta, e o tratam como ladrão. Pode ser a honra ferida de um vigilante exemplar. Pode ser alguém que se esconde atrás do regulamento. O detetive vai ter de decidir qual das duas.


Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 114 de 200.
O caso
Os outros suspeitos
Osvaldo BrandãoGerente de uma firma de grama sintética, 48 anos
Zuleide ArrudaDona da mercearia em frente à casa amarela, 63 anos
