

Owen Prideaux
Garçom de restaurante italiano, 34 anos
Owen Prideaux tem 34 anos e serve massa a quem lhe dá gorjeta e histórias a quem lhe dá ouvidos. Nasceu em Swindon, filho de um motorista de caminhão e de uma balconista de farmácia, e foi o primeiro da família a estudar letras na universidade de Bristol. O dinheiro acabou antes do último ano e ele voltou à estrada do trabalho com uma mochila e um sonho. Está há dois anos no restaurante italiano do centro, onde diz servir mesa para pagar o aluguel e deixar as tardes livres para escrever.
Mora num quarto no andar de cima de uma lavanderia, em cima de um balcão de vidro e de um aroma permanente de sabão, com uma janela que dá para o beco dos fundos. Tem uma escrivaninha de pinho que ele mesmo lixou, uma cadeira que range, uma estante improvisada de caixotes e uma pilha de livros de espionagem que ele chama de pesquisa. Come o que sobra do restaurante, dorme tarde e acorda mais tarde ainda. A mãe liga aos domingos e pergunta se o livro já acabou.
É magro e alto, de pele pálida e sardenta, com cabelo ruivo desgrenhado e barba rala. Usa camisa branca de garçom com as mangas dobradas e um avental preto amarrado na cintura, uma caneta presa atrás da orelha e um olhar curioso e ansioso, que escorrega pelas pessoas como quem estuda um elenco. Fala muito, rápido, com sorrisos à toa, e trata cada cliente como personagem, a quem inventa uma vida enquanto serve o vinho.
Sobre o almoço de domingo, a versão dele é a de quem serviu: risoto de cogumelos para o senhor Danek, massa para a filha e uma garrafa de vinho branco, na mesma mesa da janela de todo domingo. No final do almoço, ele suava muito e as pupilas estavam do tamanho de uma cabeça de alfinete, e o garçom achou que era o vinho. A cozinha já foi lacrada, mas ninguém mais passou mal. Diz que está há dois anos ali e que conhece os clientes como a palma da mão.
Owen sabe que um garçom que repara em tudo e anota o que vê é o tipo de testemunha a que a polícia se agarra, e que o mesmo gosto de olhar pode se virar contra ele. Quando o detetive pergunta por que ele sabe tanto sobre os clientes, a resposta vem com um sorriso nervoso e uma piada ruim. Pode ser a curiosidade inofensiva de um escritor frustrado. Pode ser alguém que observa porque tem motivo para observar. O detetive vai ter de decidir qual das duas.


Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 129 de 200.
O caso
Os outros suspeitos
Matvei OrlikVendedor de fertilizantes em viagem de turismo, 41 anos
Bernice TolleyVizinha de frente de Danek e voluntária da catedral, 62 anos
