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Inspirado em caso real

O homem que vendeu a Torre Eiffel

Paris, França, 1925

Este caso é uma obra de ficção. Os personagens, nomes, lugares e acontecimentos do jogo não retratam pessoas reais. O relato abaixo é um resumo factual, com fontes públicas, do caso que serviu de inspiração.

Em 1925, o vigarista Victor Lustig, nascido em 1890 na Boêmia, então parte da Áustria-Hungria, leu num jornal de Paris que a Torre Eiffel enferrujava, custava caro para manter e pintar e que parte da opinião pública já falava em desmontá-la. Ele contratou um falsificador para fazer papel timbrado do governo e escreveu a um pequeno grupo de grandes sucateiros da cidade, apresentando-se como subdiretor do Ministério dos Correios e Telégrafos e pedindo sigilo absoluto. Recebeu os comerciantes num salão do Hôtel de Crillon, um dos hotéis mais luxuosos de Paris, e anunciou que o governo venderia a torre como sucata, cerca de 7 mil toneladas de ferro.

Lustig alugou limusines, levou os sucateiros para visitar a torre e observou qual deles cairia no golpe. Escolheu André Poisson, comerciante novo na cidade e inseguro, que queria entrar no círculo dos grandes negociantes de Paris. Quando Poisson começou a fazer perguntas, Lustig insinuou que um funcionário público ganhava pouco e que uma decisão tão grande merecia um agrado. O pedido de suborno convenceu Poisson de que o homem era mesmo do governo: segundo a revista Smithsonian, ele pagou o equivalente a cerca de 70 mil dólares entre o preço e a propina, e Lustig partiu para a Áustria menos de uma hora depois.

Fontes

No jogo

Torre à Venda

Paris, sábado, 23 de maio de 1925, 18h. Na suíte 412 do Grand Hôtel Mirabeau, a dois passos da Concorde, um contrato com selo dourado do Ministério dos Correios e Telégrafos descansa sobre a mesa: a venda da grande torre de ferro como sucata, 7 mil toneladas de ferro.

Envergonhado, Poisson não deu queixa, e nada saiu nos jornais. Lustig voltou a Paris para repetir o golpe com outro grupo de sucateiros, mas desconfiou que um deles tinha avisado a polícia e fugiu para os Estados Unidos. Lá aplicou outros golpes, como a falsa máquina de imprimir dinheiro, e montou uma grande operação de notas falsas. Foi preso em Nova York em maio de 1935, quando uma chave na carteira levou os agentes a um armário no metrô com 51 mil dólares falsos e as chapas de impressão. Fugiu da prisão na véspera do julgamento, foi recapturado em Pittsburgh, condenado a 20 anos e morreu sob custódia federal em 1947.