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O ateliê da escola de arte, com os cavaletes e as telas encostadas
Corinne Abernathy

Corinne Abernathy

Estudante de belas-artes e vizinha de Delia no apartamento 3, 23 anos

Corinne Abernathy tem 23 anos e estuda belas-artes. Nasceu em Eugene, no Oregon, filha de uma bibliotecária e de um motorista de ônibus, e chegou a Berkeley com uma mala de segunda mão e a certeza de que a arte pode mudar o mundo. Doce e sonhadora, fala de pintura e de paz com um entusiasmo que contagia os colegas, e chora fácil, tanto de alegria quanto de tristeza.

Passa os dias no ateliê da escola de arte, uma sala ampla de pé-direito alto, com cavaletes espalhados, telas encostadas na parede e janelas largas que deixam entrar a luz cinzenta da baía. Pinta paisagens abstratas, grandes manchas de azul e mostarda, e pendura nas paredes as que não deram certo. À noite volta para o apartamento 3, do outro lado do corredor de Delia, de quem se tornou amiga em setembro.

É magra e sardenta, com o cabelo castanho-claro liso e comprido, repartido ao meio e preso por uma faixa de tecido na testa, e olhos verdes inquietos. Veste uma bata indiana bordada sob um casaco de veludo cotelê mostarda e calça boca de sino. Fala baixo e sorri com facilidade, mas desvia o olhar quando a conversa se aproxima de assuntos duros, e logo começa a falar de cores.

Sobre a vizinha, a versão dela é de afeto: pintaram juntas na varanda quase todo fim de tarde desde setembro, e Delia é a única rica que ela conhece que pede desculpa por ser. Comenta que o motorista da família larga o posto toda segunda, perto das 21h, e só volta depois das 21h30, e que a lanchonete onde ele diz jantar fecha cedo às segundas.

Corinne sabe que a vizinha amiga, que dividiu a varanda e o corredor de Delia, é uma das poucas pessoas que conheciam a rotina daquela porta. Quando o detetive diz que ela ajudou a sequestrar a amiga, os olhos se enchem de lágrimas, ela lembra que chorou a noite inteira e fala em chamar a advogada. Pode ser a mágoa de uma amiga injustamente apontada. Pode ser alguém que usa o choro para ganhar tempo. O detetive vai ter de decidir qual das duas.

O casaco de veludo cotelê mostarda que ela usa sobre a bata
O casaco de veludo cotelê mostarda que ela usa sobre a bata
A bata indiana bordada de motivos florais
A bata indiana bordada de motivos florais
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Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 170 de 200.

O caso

Os outros suspeitos