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Inspirado em caso real

A galeria Knoedler e os falsos expressionistas abstratos

Nova York, Estados Unidos, 2011

Este caso é uma obra de ficção. Os personagens, nomes, lugares e acontecimentos do jogo não retratam pessoas reais. O relato abaixo é um resumo factual, com fontes públicas, do caso que serviu de inspiração.

Fundada em 1846, a Knoedler & Company era a galeria de arte mais antiga de Nova York. A partir dos anos 1990, uma marchand de Long Island, Glafira Rosales, passou a oferecer à galeria telas inéditas atribuídas a mestres do expressionismo abstrato, como Mark Rothko, Jackson Pollock, Robert Motherwell e Willem de Kooning. Segundo ela, as obras vinham de um colecionador anônimo que as teria comprado direto dos artistas e preferia não aparecer. Ao longo de cerca de quinze anos, a Knoedler e outra galeria de Manhattan venderam dezenas dessas telas, num esquema estimado em 80 milhões de dólares.

As dúvidas cresceram até que, em 2011, um colecionador processou a galeria por um "Pollock" falso, e a Knoedler, com 165 anos de história, fechou as portas de repente naquele ano. A investigação federal mostrou que as telas tinham sido pintadas por Pei-Shen Qian, um pintor imigrante chinês que trabalhava na garagem de casa, no Queens, e recebia de algumas centenas a 9 mil dólares por obra. Num dos falsos Pollock, a assinatura estava escrita errado: "Pollok". Um casal de colecionadores, que em 2004 pagara mais de 8 milhões de dólares por um falso Rothko, levou a galeria e a antiga diretora a julgamento em 2016; o caso terminou em acordo durante o processo.

Fontes

No jogo

Tinta Fresca

Galeria Haverford & Filhos, Upper East Side, Nova York, quarta-feira, 30 de novembro de 2011, 20h. A galeria mais antiga da cidade está de portas fechadas pela primeira vez em 158 anos.

Rosales foi presa em maio de 2013 e, em setembro, se declarou culpada de conspiração, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e sonegação, entre outros crimes. Em janeiro de 2017 foi condenada aos 82 dias que já tinha passado presa, a nove meses de prisão domiciliar e a três anos de liberdade vigiada; a defesa disse que ela agiu pressionada pelo companheiro, José Carlos Bergantiños Díaz, que fugiu para a Espanha. O pintor também foi acusado, mas deixou os Estados Unidos e voltou para a China antes de ser julgado.