Mata Hari, a dançarina fuzilada como espiã
Paris, 1917
Este caso é uma obra de ficção. Os personagens, nomes, lugares e acontecimentos do jogo não retratam pessoas reais. O relato abaixo é um resumo factual, com fontes públicas, do caso que serviu de inspiração.
Margaretha Zelle, holandesa nascida em 1876, ficou famosa em Paris a partir de 1905 como Mata Hari, dançarina que se dizia princesa javanesa. Cidadã de um país neutro na Primeira Guerra, cruzava fronteiras com facilidade e se relacionava com oficiais e políticos de vários países. Em 1916, o serviço de contraespionagem francês, o Deuxième Bureau, aceitou usá-la como agente, com a promessa de um milhão de francos.
No fim de 1916, em Madri, ela se aproximou do adido militar alemão. Em janeiro de 1917, ele mandou a Berlim mensagens de rádio sobre uma agente de código H-21, cuja biografia batia com a dela, num código que os franceses já sabiam ler. O Bureau também afirmou que ela recebera os nomes de seis agentes na Bélgica e que, depois da viagem a Madri, os alemães executaram um deles. Presa em 13 de fevereiro de 1917 num hotel dos Champs-Élysées, ela admitiu ter recebido 20 mil francos de um diplomata alemão, mas disse que era dinheiro de amante, e chamou de maquiagem a tinta secreta achada no quarto.
Fontes
No jogo

Papel Lilás
Paris, quarta-feira, 7 de fevereiro de 1917, 23h. Na suíte 112 do Hôtel Bellerive, na avenida mais elegante de Paris, ainda há flores de um admirador e um cheiro de pó de arroz. Lá fora, a cidade apaga as luzes por causa dos zepelins.
Julgada a portas fechadas em julho de 1917, acusada de causar a morte de milhares de soldados, foi condenada e fuzilada em Vincennes em 15 de outubro de 1917, aos 41 anos. Ela sempre negou ter espionado para a Alemanha. Historiadores apontam falsificações no dossiê e veem nela um bode expiatório de uma França que perdia a guerra; as 1.275 páginas do processo foram liberadas pelo exército francês em 2017, cem anos depois.