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O apartamento no 18º distrito, com o varal cruzando a sala
Yasmine Roux

Yasmine Roux

Assistente pessoal de Marisol Deane, 31 anos

Yasmine Roux tem 31 anos e organiza a vida de uma pessoa famosa por escrito e em tempo real. Nasceu em Marselha, filha de uma professora franco-argelina e de um estivador, e cresceu falando francês na escola, árabe na cozinha e inglês no fone. Estudou comunicação, trabalhou em duas agências de eventos e há dois anos acompanha a influenciadora Marisol Deane nas viagens, com uma agenda que ela diz saber de cabeça e que, na verdade, está em dois celulares.

Mora em Paris, num apartamento de um quarto no 18º distrito, com um sofá azul, uma janela grande e um varal de roupas que cruza a sala inteira. Nunca está lá: passa mais noites em hotéis e residências do que na própria cama. A geladeira tem água com gás e uma caixa de tâmaras, e a mãe manda uma carta de Marselha por mês, em papel, o que Yasmine acha ridículo e guarda numa caixa de sapatos. Faz yoga às seis da manhã, quando consegue.

Tem o cabelo preto longo preso num rabo alto, a pele morena e olhos escuros que hoje estão borrados de maquiagem de festa. Usa um vestido preto curto de boate sob um blazer bege grande demais, que veio sem querer de outra pessoa, e segura a bolsa pequena de festa apertada contra o peito. É organizada, rápida e se irrita com pergunta repetida: acha que a segunda vez que alguém pergunta o que já foi respondido é falta de atenção.

Sobre a noite do assalto, a versão dela é a de quem não estava ali: a patroa decidiu ficar na residência à 0h15, dizendo-se morta de cansaço, e Yasmine saiu com o segurança para uma boate dos Champs-Élysées. O motorista levou os dois à 0h30. Quando ligaram, horas depois, ela já estava a caminho. Sabe que o anel valia uns quatro milhões de euros e que a caixa de joias estava na mesa de cabeceira. Diz que o celular da patroa ficou, e que eles só queriam o que brilha.

Yasmine sabe que a assistente que sai à noite deixando a patroa sozinha é a primeira que a polícia vai querer ouvir. Quando o detetive pergunta por que ela não estava ao lado de Marisol, a pergunta é respondida com outra, e o ritmo acelera. Pode ser a irritação de quem se sente injustamente cobrada. Pode ser alguém que organiza a resposta como organiza a agenda dos outros. O detetive vai ter de decidir qual das duas.

O blazer bege grande demais por cima do vestido
O blazer bege grande demais por cima do vestido
O vestido preto curto que ela usa para sair à noite
O vestido preto curto que ela usa para sair à noite
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Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 123 de 200.

O caso

Os outros suspeitos