Fumaça Doce

Os casos são liberados em ordem, como fases. Este é o caso 45 de 100.
Fábrica de charutos La Perla, Havana, 1957, 16h05. Dom Aurelio Echevarría, 71 anos, dono da fábrica, morreu às 15h40 no próprio escritório.
Minutos antes, tomou o cafezinho de todo dia, servido às 15h. Suou frio, tremeu e caiu sobre a mesa. O médico da fábrica falou em coração.
Mas Aurelio ia ao tabelião na segunda-feira, e três pessoas passaram perto do escritório nesta tarde. Uma delas mente.
Salão dos enroladores depois do expediente, bancas vazias, a tribuna da leitora ao fundo e o cheiro doce de tabaco no ar.
Suspeitos
Reinaldo EchevarríaSobrinho e herdeiro de Aurelio, 34 anos
Caridad MesaLeitora da fábrica, 45 anos
Faustino OliveraMestre enrolador, 62 anos
O caso real
O conde de Bocarmé e o primeiro crime com nicotina
Bélgica, 1850
Este caso é uma obra de ficção. Os personagens, nomes, lugares e acontecimentos do jogo não retratam pessoas reais. O relato abaixo é um resumo factual, com fontes públicas, do caso que serviu de inspiração.
Em novembro de 1850, Gustave Fougnies morreu no castelo de Bitremont, na Bélgica, durante um jantar na casa da irmã e do cunhado, o conde Hippolyte de Bocarmé. O conde, endividado, perderia a herança da família se o cunhado se casasse, o que estava prestes a acontecer. A morte foi apresentada como mal súbito.
O químico Jean Servais Stas desenvolveu um método para isolar alcaloides de tecidos humanos e provou que a vítima fora envenenada com nicotina, que o conde destilara de folhas de tabaco cultivadas na propriedade. Foi a primeira condenação por envenenamento com uma substância vegetal pura. O conde foi executado em 1851.
O jogo toma emprestado o parente endividado que envenena o familiar com nicotina para não perder a herança. A Havana dos anos 1950, os personagens e o desfecho são ficção.