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Inspirado em caso real

O desaparecimento de Harold Holt, primeiro-ministro da Austrália

Portsea, Victoria, Austrália, 1967

Este caso é uma obra de ficção. Os personagens, nomes, lugares e acontecimentos do jogo não retratam pessoas reais. O relato abaixo é um resumo factual, com fontes públicas, do caso que serviu de inspiração.

No domingo, 17 de dezembro de 1967, o primeiro-ministro australiano Harold Holt, de 59 anos, passava o fim de semana em Portsea, na península de Mornington. Por volta de 12h15, foi nadar na praia de Cheviot, voltada para o estreito de Bass, apesar do mar grande e das correntes visíveis. Estavam com ele Marjorie Gillespie, vizinha e amiga próxima (anos depois ela confirmaria que os dois tinham um caso), a filha dela e dois amigos da família. Em poucos minutos a água o levou para longe da praia, e ele sumiu na espuma.

A busca começou às 13h30 e chegou a reunir mais de 340 pessoas, entre policiais, militares, mergulhadores e voluntários, sem achar o corpo; foi encerrada oficialmente em 5 de janeiro de 1968. Em 22 de dezembro, uma cerimônia em memória dele na catedral de São Paulo, em Melbourne, recebeu chefes de governo como Lyndon Johnson, dos Estados Unidos, e Harold Wilson, do Reino Unido. O relatório da polícia, divulgado em 5 de janeiro de 1968, não chegou a conclusão definitiva e descartou o suicídio.

Fontes

No jogo

Maré Vazante

Portsea, península de Mornington, Austrália, domingo, 17 de dezembro de 1967, 21h. Na sala de uma casa de praia sobre as dunas, o vento bate nas janelas e, lá embaixo, holofotes de barcos varrem a água escura.

Sem corpo, nasceram as teorias: suicídio, assassinato pela CIA (publicado por um jornal em 1968) e, a mais famosa, a do livro de 1983 do jornalista Anthony Grey, segundo o qual Holt seria espião da China e teria sido recolhido por um submarino; resenhistas apontaram erros factuais na obra. Até 1985, a lei de Victoria não permitia inquérito sem corpo; em 2005, numa revisão de dezenas de afogamentos em que o corpo nunca apareceu, o legista Graeme Johnstone abriu um inquérito sobre Holt e concluiu que ele correu um risco desnecessário e se afogou no mar agitado de Cheviot. Em 1969, Melbourne inaugurou uma piscina pública com o nome dele.